quinta-feira, 26 de abril de 2012

O cotidiano e a presença da escravidão no Brasil


       O trabalho escravo era utilizado em todas as atividades produtivas da colônia, o trabalho livre era pouco valorizado, pois tinha semelhança com o trabalho escravo, com isso a escravidão se tornou hegemônica diante da existência do trabalho livre.
       No século XVI, a grande lavoura açucareira, necessitava de grande quantidade de mão de obra, como o trabalho livre era inviável foi introduzido o trabalho escravo. Os primeiros escravos do Brasil foram os índios nativos, mas depois surge a preferência do escravo negro. O trafico negreiro gerava renda para a Coroa e todos os envolvidos no processo, ao contrario da escravização do índio, que só dava lucro aos que os escravizavam, além do que, o Estado e a Igreja reprimiam a escravidão do índio.
       A escravidão estava entranhada na vida social, cultural e econômica da colônia. A mentalidade da época via a escravidão como uma coisa normal. Como se os africanos fossem determinados pela natureza pra serem escravos.
       O mundo dos escravos não era homogêneo, existia a distinção entre o cativo recém chegados da África, o boçal e o ladino, africano já aculturado e entendedor do português. Os africanos como um todo eram opostos aos crioulos, nascidos no Brasil. Dependendo de sua origem o africano era mais valorizado. Os mulatos e negros crioulos eram preferidos para as tarefas domésticas, artesanais e de supervisão, estes viviam mais próximos de seus senhores e por isso conseguiam comprar ou ganhar suas alforrias.
       Escravos domésticos tinham que ter conduta impecável, sempre baseada na submissão, humildade, obediência cega e fidelidade, não esquecendo que estes estão mais sujeitos aos caprichos dos senhores, podendo se tornar vitimas de assédio sexual. O lugar destes não eram apenas na cozinha e no eito das grandes fazendas, eles ficavam em lugares, em diferentes momentos, compartilhavam o cotidiano de seus senhores.
       Formalmente o escravo não tinha direito, mas com o cotidiano com os senhores, foram capazes de negociar e estabelecer regras de convivência e limites em seu favor, mas mesmo assim o senhor tinha poder quase ilimitado. Existiam as famílias escravas que se união conjugalmente, os senhores e a igreja eram obrigados a sacramenta-los, estás famílias tinham domicílios próprios e cultivavam em suas roças.
       Os escravos urbanos exerciam atividades domésticas ou artesanais. Era raro mais existiam escravos que possuíam escravos na zona urbana, pois os escravos conseguiam renda para comprar suas alforrias e depois para comprar seus escravos.
       Em Piratininga e São Paulo o escravo índio ainda neste período é utilizado. Em Piratininga a escravidão ilegal de índios era um dos três itens mais valorizados que possuíam e em São Paulo a economia de exportação, envolvia menor presença de africanos e uma maior presença de índios.
       A vida na colônia era conduzida pela experiência dos mais velhos e pelas habilidades dos criados e escravos.
       Não posso esquecer de relatar sobre as irmandades negras, onde no Brasil as que mais se destacavam era a Irmandade do Rozario e a de São Benedito, as irmandades de homens negros e pardos, eram compostas de escravos e libertos, estes faziam sua festas de padroeiros bem organizadas e para isso eles cobravam e recebiam dinheiro em suas irmandades, além das irmandades catolicas o candoblé também ganhava e ganha destaque na cultura negra, os batuques, os sambas e a capoeira faziam parte do cotidiano dos negros, que foram reprimidos pela concepção europeia de vida e cultura, pois a sociedade tinha uma visão etinocentrica.
    

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